Michelle Raiol / Contexto
Michelle Raiol correndo ao ar livre, em um parque no outono.
Além da Matrix — uma imagem sobre sair do automático e escolher conscientemente como viver.

Contexto de Michelle

Criação de conteúdo, desenvolvimento humano, empreendedorismo e tecnologia parecem mundos diferentes. Para mim, todos começam com uma possibilidade que ainda não foi explorada.

Em todas essas áreas, percebi que preciso de direção, mas não de um roteiro dizendo cada passo. Trabalho melhor quando sei o que quero construir e tenho liberdade para descobrir o caminho enquanto faço: experimentar, ajustar, corrigir e deixar que algumas respostas apareçam durante o processo.

Durante muito tempo, não entender isso me fez confundir ciclos concluídos com projetos abandonados. Eu tentava permanecer indefinidamente na mesma atividade porque acreditava que uma carreira bem construída deveria seguir uma única linha. Quando precisava mudar de tema ou começar algo novo, sentia que havia fracassado — e, algumas vezes, deixei de iniciar projetos porque já temia o dia em que eles deixariam de fazer sentido.

Hoje entendo que posso mudar de projeto sem precisar recomeçar minha vida profissional cada vez que um ciclo termina. Cada projeto pode ter começo, meio e fim e, ainda assim, contribuir para uma construção que continua.

Como penso

Quando um assunto desperta minha curiosidade, preciso entender o que existe por baixo da superfície. Faço perguntas, procuro relações, crio metáforas, testo explicações e desmonto o assunto até conseguir reconstruí-lo com minhas próprias palavras.

Curiosidade e criatividade cumprem papéis diferentes nesse processo. A curiosidade me leva a compreender as peças; a criatividade aparece quando começo a combiná-las de outro jeito.

Foi assim que nasceu o e-book Amor e Destino. Eu já conhecia profundamente o Lenormand e percebi que a inteligência artificial poderia me ajudar a organizar e desenvolver milhares de combinações amorosas entre as cartas. Durante oito meses, transformei esse conhecimento num processo: eu fornecia as ideias, os critérios e os direcionamentos; analisava cada resultado; corrigia, reformulava e continuava testando. Dessa investigação nasceu um e-book com 3.780 interpretações — algo que dificilmente teria conseguido produzir daquela forma e naquele tempo trabalhando sozinha.

Como trabalho

Trabalho melhor quando sei o que precisa ser feito, mas tenho liberdade para descobrir como chegar lá. Roteiros muito fechados me deixam presa à execução; um objetivo claro me dá direção sem impedir que eu experimente, improvise e encontre soluções durante o processo.

Foi assim na criação de conteúdo. Quando tentava seguir roteiros, teleprompter ou falas ensaiadas, eu parecia robotizada e errava mais. Quando compreendo o assunto e simplesmente começo a falar, as ideias se conectam naturalmente. Isso não elimina os erros: eu os corrijo depois, durante a edição.

Hoje também entendo que preciso trabalhar com ciclos. Um projeto pode ter começo, meio e fim sem representar o fim de uma carreira. Posso concluir uma construção, mudar de tema e começar outra sem apagar o que fiz antes. O que aprendo e produzo em cada ciclo passa a fazer parte do próximo.

Autonomia, para mim, não significa trabalhar sem acordos. Preciso de objetivos claros, diálogo e espaço para contribuir com meu próprio modo de pensar. Ambientes baseados em controle constante, competição ou rigidez excessiva acabam ocupando o espaço que eu preciso para criar.

O que estou fazendo agora

Crio conteúdos para dois canais no YouTube, mas reduzi temporariamente a frequência de publicação para estudar inteligência artificial mais a fundo e aplicá-la, na prática, a projetos próprios que estavam parados ou existiam apenas como ideia.

O primeiro deles foi este portfólio. Eu já tinha um site, mas decidi reconstruí-lo do zero para experimentar ferramentas de IA e entender o que realmente acontece quando uma ideia passa a ser desenvolvida com elas. Cada página me obrigou a tomar decisões, avaliar resultados, identificar erros, reformular instruções e interferir até que o trabalho deixasse de parecer uma resposta automática e começasse a carregar minha assinatura.

Ao mesmo tempo, estudo Produto para compreender melhor como uma ideia é investigada, desenvolvida e transformada em algo que outras pessoas possam usar. Estou construindo competências que poderão ser aplicadas tanto dentro de uma empresa quanto em novos projetos independentes — dois caminhos que, neste momento, continuam abertos.

Além do trabalho

Sou mãe e tenho uma paixão especial pela natureza, por viajar e por estudar. Interesso-me por comportamento humano, sociedade, religiões, espiritualidade e expansão da consciência.

A dança também ocupa um lugar importante na minha vida. Já foi profissão, levou-me a fazer apresentações em outros países e continua presente, mesmo que hoje eu dance principalmente em casa. Talvez por isso a música, para mim, esteja muito ligada ao movimento: gosto de samba, axé, ritmos latinos, zouk, brega e tudo o que dá vontade de levantar e dançar. Também ouço New Age e mantras, dependendo do momento. Conto melhor essa história aqui.

Gosto de séries e realities coreanos, de estar em contato com a natureza e de manter o corpo em movimento. Ao longo dos anos, passei por diferentes fases de yoga, caminhada e treinamento físico. Não tenho uma rotina perfeita e imutável; encontro diferentes maneiras de cuidar da saúde e da disposição.

O nome Além da Matrix, que dei a um dos meus canais, traduz uma pergunta presente em muitas coisas que faço: quanto da vida escolhemos conscientemente e quanto apenas repetimos no automático?

Para mim, viver não pode se resumir a trabalhar e cumprir uma programação. Também envolve experimentar, aprender, criar, cuidar, mudar de ideia e encontrar maneiras próprias de estar no mundo.

Histórias e pensamentos

Experiências, interesses e assuntos que também fazem parte de quem sou.

Morei em muitos lugares — e isso mudou meu jeito de ver o mundo

Morar em diferentes lugares me ensinou que muita coisa que parece natural, óbvia ou imutável é apenas uma entre várias formas possíveis de fazer, pensar e viver.

Nasci em Belém do Pará e cresci em Macapá desde os 9 anos. Morei oito anos na Holanda, três anos no Rio de Janeiro e sete anos no Paraná. Há oito anos, vivo em Portugal. Também conheci Ruanda, Quênia, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha e Bélgica.

Conviver com diferentes idiomas, culturas e maneiras de organizar a vida aumentou o meu repertório. Quando encontro um problema, não parto automaticamente da ideia de que existe uma única resposta: comparo referências, questiono o que foi estabelecido e procuro outras possibilidades.

Ainda quero conhecer a Austrália e ver a aurora boreal na Noruega. Não apenas para acrescentar novos destinos à lista, mas porque conhecer outras formas de viver continua mudando a maneira como compreendo o mundo — e as escolhas que faço dentro dele.

A dança faz parte da minha história desde os 15 anos

Descobri minha paixão pela dança aos 15 anos. Na juventude, enquanto me dedicava à igreja, comecei a perceber que ela também poderia ser uma forma de expressão coletiva. Dei aulas de coreografia em igrejas, entre elas a Assembleia de Deus e a Batista, e criei coreografias para apresentações na Igreja Batista e na Igreja Quadrangular.

Aos 20 anos, fui morar na Holanda. Lá, continuei estudando e comecei a fazer apresentações de samba solo, representando a cultura brasileira. Apresentei-me na Holanda, na França e na Alemanha. Não segui uma carreira acadêmica na dança; meu caminho foi construído pela prática, pelas apresentações e pela experiência de levar um pouco do Brasil a outros lugares.

Quando voltei para Macapá, a dança ganhou outra forma. Dei aulas de reggaeton, toadas e axé com uma proposta voltada ao exercício físico e à diversão — algo próximo do que hoje muitas pessoas conhecem como Zumba.

Atualmente, não trabalho profissionalmente com dança e já faz alguns anos que não participo de aulas ou apresentações. Mas nunca deixei realmente de dançar. Em casa, continuo dançando sempre que uma música me convida ao movimento.

Também tenho vontade de experimentar dança contemporânea. Ainda não comecei, mas talvez seja a próxima maneira de reencontrar uma parte de mim que nunca foi embora.

Quer conhecer os projetos que desenvolvi ou conversar sobre uma oportunidade?