Morei em muitos lugares — e isso mudou meu jeito de ver o mundo
Morar em diferentes lugares me ensinou que muita coisa que parece natural, óbvia ou imutável é apenas uma entre várias formas possíveis de fazer, pensar e viver.
Nasci em Belém do Pará e cresci em Macapá desde os 9 anos. Morei oito anos na Holanda, três anos no Rio de Janeiro e sete anos no Paraná. Há oito anos, vivo em Portugal. Também conheci Ruanda, Quênia, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha e Bélgica.
Conviver com diferentes idiomas, culturas e maneiras de organizar a vida aumentou o meu repertório. Quando encontro um problema, não parto automaticamente da ideia de que existe uma única resposta: comparo referências, questiono o que foi estabelecido e procuro outras possibilidades.
Ainda quero conhecer a Austrália e ver a aurora boreal na Noruega. Não apenas para acrescentar novos destinos à lista, mas porque conhecer outras formas de viver continua mudando a maneira como compreendo o mundo — e as escolhas que faço dentro dele.
A dança faz parte da minha história desde os 15 anos
Descobri minha paixão pela dança aos 15 anos. Na juventude, enquanto me dedicava à igreja, comecei a perceber que ela também poderia ser uma forma de expressão coletiva. Dei aulas de coreografia em igrejas, entre elas a Assembleia de Deus e a Batista, e criei coreografias para apresentações na Igreja Batista e na Igreja Quadrangular.
Aos 20 anos, fui morar na Holanda. Lá, continuei estudando e comecei a fazer apresentações de samba solo, representando a cultura brasileira. Apresentei-me na Holanda, na França e na Alemanha. Não segui uma carreira acadêmica na dança; meu caminho foi construído pela prática, pelas apresentações e pela experiência de levar um pouco do Brasil a outros lugares.
Quando voltei para Macapá, a dança ganhou outra forma. Dei aulas de reggaeton, toadas e axé com uma proposta voltada ao exercício físico e à diversão — algo próximo do que hoje muitas pessoas conhecem como Zumba.
Atualmente, não trabalho profissionalmente com dança e já faz alguns anos que não participo de aulas ou apresentações. Mas nunca deixei realmente de dançar. Em casa, continuo dançando sempre que uma música me convida ao movimento.
Também tenho vontade de experimentar dança contemporânea. Ainda não comecei, mas talvez seja a próxima maneira de reencontrar uma parte de mim que nunca foi embora.